John Baldessari-fotografia de apropriação

John Baldessari-fotografia de apropriação

De um escritor frustrado e um pintor descontente com o meio, emerge John Baldessari, um dos mais importantes fotógrafos do século XX. Pelo menos um dentre muitos que pode ser facilmente identificado pelo seu revigorante processo plástico que transcende o meio em que está explorando. Ele desejava que suas pinturas falassem, se tornassem palavras porque não se via com a habilidade de se expressar inteiramente através da escrita.

O início

No início de sua carreira, depois de sua experiência em a pintura, John Baldessari começou a usar textos com imagens e este processo o levaria a ser considerado um dos precursores da arte conceitual. Este processo é bem atual hoje na área de Direção de arte que tem como base a interação entre texto e imagem.

A ideia que flui desta relação depende muito do que o artista deseja transmitir, o que ele quer falar. Se esta conexão estiver com ruídos, a mensagem pode não ser percebida e todo o processo e a obra ou peça pode se tornar irrelevante pela falta de entendimento do público.

Para alguns escolares da história da arte, se a obra não é entendida ou percebida pelo espectador ela imediatamente deixa de ser relevante em sua execução e todo o seu processo passa a ser vago e até mesmo inútil. A controvérsias mediante esta ideia.

Eu particularmente aprecio o processo em si como arte, o como fazer do artista o qual deve estar em sintonia com seu público ou engajado na sociedade em que se encontra senão a arte vai acabar sendo uma mera decoração de parede para combinar com o sofá da sala.

Categorização

John Baldessari foi ‘categorizado’ de diversas formas e lhe foi dado diferentes títulos como o ‘mentor da arte conceitual’, ‘surrealista da era digital’, ‘pai da apropriação’. As maioria das pessoas gostam de rotular. Fica fácil para depois entender o que acontece com o ‘rotulado’. Eu desprezo rótulos. Eu acredito que são inúteis a ponto de se tornarem uma marca de posse, como é feito em gados.

O interessante é o artista não se rotular e não se prender a algum termo externo a sua própria prática e vivência que pode atrofiar seu fazer artístico. Na minha opinião ele é um criador multimídia. É o mais próximo denominador comum que consigo perceber.

Apropriação

Na sua fase de apropriação, o artista recorre a fotos de pessoas da alta sociedade, de status e tira suas identidades, transformando-os em pessoas comuns, ou sem face. O uso dos círculos coloridos destrói a personalidade destas pessoas, antes pertencentes a um mundo de status e ostentação, agora fazem parte do mundo surreal de signos criado por John Baldessari.

Suas últimas pesquisas experimentais estão ligadas a fotografia panorâmica e suas possibilidades plásticas quando montadas, arranjadas, desarranjadas, coladas e trabalhadas geometricamente. A relação entre o vertical e o horizontal é explícito e pode até parecer uma alusão a cruz ou a um sinal de ‘mais’, sempre cruzando as fatias de forma intrigante e excitante. Sua plasticidade me contagia e vale a pena ver toda sua obra que transcende o tempo.

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