Transtornos transformados em Arte-Kristina Hroska

Transtornos transformados em Arte-Kristina Hroska

Em meados de 2015 Kristina Hroska foi acometida por uma onda de ansiedade que a deixou com Agorafobia. De repente, ela se encontrou sem capacidade de sair de casa por medo de ter ataques de pânico. Logo depois entrou em terapia onde a diagnosticaram e começaram a trata-la de Transtorno de estresse pós-traumático.

A fotografia a ajudou a sanar esta inesperada onda de ansiedade e o tratamento que fez nunca teria êxito sem a sua prática artística. Este exemplo reflete muito bem o poder da arte, no caso da fotografia no processo de recuperação de pessoas que passam por algum tipo de dificuldade depois de um certo episódio em suas vidas.

Kristina Hroska escolhe temas bem íntimos como sujeitos para sua prática. Casas mal assombradas, uma fascinação peculiar por aquilo que é visto como um transtorno mas que pode ser um caminho para sanar de vez suas fobias. O medo deve ser encarado de frente e nunca ser menosprezado para que seja vencido por completo. Foi isso que a artista fez. Incorporou sua dificuldade e a tratou com muita arte e a mostrou para o mundo fazendo disso seu mais potente remédio.

Kristina Hroska: Emergence

Emergence é um projeto que não tem data de início muito menos de término pois é criado a partir do processo de tratamento que faz para Agorafobia.

O resultado deste trabalho é uma expressão viva do mistério e complexidade do poder de cicatrização do cérebro e o uso que faz da arte como linguagem para representar o processo de cura, assim como um condutor para a cura em si mesma.

Seu processo artístico é repleto daquilo que as crianças tem de melhor: A curiosidade. Coisa que nunca foi esquecida pela artista mesmo depois de adulta.

Kristina Hroska é fascinada por casas mal assombradas desde criança quando visitava seus avós no verão em Dakota do Sul, EUA.

Kristina Hroska: Haunted

Haunted é um projeto de investigação sobre os espaços físicos onde ocorrências inexplicáveis não cansam em acontecer. Neste projeto, Kristina Hroska trabalha juntamente com pesquisadores do paranormal em casos ativos de lugares assombrados onde a razão não tem o mesmo peso e muito menos a mesma eficácia para explicar o que se faz real.

O lugar onde passou parte de sua infância era remoto e pouco acontecia nas proximidades o que caracterizava o lugar quase como que inóspito. As noites eram negras e sombrias, frias e opacas como uma fotografia em preto e branco sem forma.

A natureza se mostrava como uma única camada que fazia parte de uma imensidão de camadas. A realidade não poderia ser única mas sim uma miríade de outras realidades explícitas por aquilo que era visto ou percebido.

Seu trabalho também pode ser apreciado como uma instalação onde o espaço é modificado para que aquela situação pudesse ser recriada e aquele tempo, aquele lugar frio e denso, pudesse ser experimentado pelos observadores. Kristina Hroska recria o ambiente em que ela viveu como forma de explicar aquilo que viveu, como uma maneira de tentar levar ao público um pouco de sua identidade, de sua infância agora perdida e ofuscada pelos reveses da realidade que se mostra doente e insípida.

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