O jogo dos infinitos erros surreais de Micha Lobi

O jogo dos infinitos erros surreais de Micha Lobi

realismo fantástico é influenciado pela rotina diária, nada mais surreal do que a própria realidade. Seu trabalho desperta, aguça a curiosidade do espectador fazendo com que ele estude a pintura, perca tempo tentando decifrar o que está acontecendo. Seu trabalho tem o papel de abrir as portas do subconsciente e convida aqueles que tem a necessidade de converter o mundano, aqueles que desejam ser instigados pela arte e que adoram pensar, racionalizar o surreal a partir do real. Também publicado na Obvious Lounge.

Críticas sociais

O massivo consumo tecnológico pela sociedade pose ser visto em quase todas as suas obras. Com uma influência notória de Hieronymus Bosch, pintor Holandês do século XV, seu estilo ímpar desprende o observador de sua zona de conforto e o coloca em frente ao que é realmente importante. Sua investigação visual só pode ser totalmente compreendida por aqueles que são corajosos o bastante para se entregarem a uma reflexão profunda.

Transformação

Pessoas tomam a forma de criaturas grotescas em atitudes que não passam de rotineiras até o ponto em que a visão é tomada pela atenção e assim a necessidade de compreender o que está acontecendo transforma o olhar e o entendimento do que está sendo visto, dando lugar a uma outra realidade que está na nossa frente mas por um capricho daquilo que é simples, cômodo e fácil não conseguimos enxergar.

Hoje assim como a muito tempo, a tecnologia nos desprende do pensar devido a facilidade que nos proporciona. A criatividade do espectador não é mais aguçada pelas mídias e sim inebriada pelo comodismo tecnológico que nos é servido frio. No apertar de um botão tudo pode ser entregado a você.

Comodismo

Não levante do sofá, sua televisão pode fazer suas compras para você. Não precisa pesquisar sobre os benefícios ou malefícios daquilo que está comendo, uma refeição rápida de micro-ondas é a solução. Não converse com seu filho quando ele estiver agitado, apenas lhe empreste seu celular e ele vai ficar em paz.

A tecnologia pode ser uma aliada do ser humano, mas nunca será seu substituto. Existem vários filmes assim, onde a tecnologia que nós mesmo criamos foi capaz de nos sugar e consequentemente nos destruir por completo. A tecnologia está ai para nos ajudar e não para emburrecer-nos até o ponto de nos castrar de nossa criatividade que foi o que criou essa tecnologia em primeiro lugar.

Aperte um botão

Artistas multimídia não precisam fazer mais nada. Softwares tem o controle e moldam o resultado final. O que antes era uma arte puramente expressiva, tem se tornado altamente dependente da tecnologia para ser concebida. Eu gosto muito da tecnologia e é por essa razão que eu a contesto. Eu acredito que o problema esteja em nossa necessidade de conforto, ou da necessidade do próprio ser humano de não ter a vontade de pensar, de querer tudo aqui, agora, o mais fácil e rápido possível.

Uma boa e terapêutica maneira de ajudar o cérebro a focar naquilo que está acontecendo agora é o antigo ‘jogo dos sete erros’. Pode ser uma comparação frívola mas tem sentido. A pintura de Micha Lobi prende a atenção dos observadores assíduos fazendo com que estes se entreguem aos poderes mágicos de sua pintura, dando início a uma viagem sem volta, imersiva e intensa pelas diversas facetas e variações encontradas no seu trabalho.

A pintura de Micha Lobi é altamente enebriante pois faz com que o observador se atente aos mínimos detalhes povoados em seu trabalho compulsivo e obsessivo. Sua arte tem o poder de nos liberar daquilo que é cômodo e superficial. Tudo o que acontece na obra é parte de um trabalho minucioso que demanda atenção e tempo para ser apreciada em sua totalidade.

Cada detalhe é uma porta para outros mundos e pode levar o espectador a mundos antes nunca concebidos. Isso acontece num nível mais profundo da mente que só pode ser atingido através da atenção plena, da meditação contemplativa total. Sua obra nos convida para o desprendimento da realidade e nos mostra o que a própria realidade faz questão de esconder.

Gostaria de comentar?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *